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VODAFONE PAREDES DE COURA 2015 @ DIA 2

O segundo dia do Festival Vodafone Paredes de Coura arrancou de pé a fundo na espiral musical abençoada por um cartaz de luxo.

Depois de um primeiro dia com o arraso total pelas mãos de Slowdive e TV on the Radio, entrámos de pé a fundo na espiral musical com uma 5ª Feira abençoada por um cartaz de luxo.

[clica nas imagens para veres a galeria fotográfica dos concertos]

Ronaldo Fonseca abre o palco Vodafone com os seus Peixe:Avião num concerto em que fica provado, mais uma vez, que a simplicidade cai sempre bem.

Peixe:Avião no Vodafone Paredes de Coura 2015
A caminho do quarto disco, os Peixe:Avião apostam assim em palco num leve experimentalismo que levanta a ponta do véu do que está por vir.

Após uma primeira noite em grande, os festivaleiros aproveitaram esta actuação para descansar o esqueleto na relva, dando uma sensação de inércia perante o que se passava em palco – factor que não enalteceu o brilho que os Peixe:Avião tantas vezes trazem à sua aura musical.

Depois dos bracarenses, chega então a altura de Steve Gunn mostrar o que vale, perante uma plateia relaxada e sem grande vontade de se mexer. Steve e a sua banda conseguiram elevar a sonoridade deste segundo dia, trazendo até nós um southern rock/folk com influências difíceis de passar em branco (e ainda bem!).

Steve Gunn no Vodafone Paredes de Coura 2015
Desfilando temas da sua longa discografia, passando pelo honroso “Cantos de Lisboa” até ao maravilhoso “Way Out Weather”, é inevitável viajar por paisagens sonoras transversais a um Michael Chapman ou um John Fahey, inspirações assumidas por este músico de guitarra em punho.

Com picos rockeiros, e direito a improvisações, Steve Gunn foi alvo de aplausos fortes dando assim início às cores que estavam por pintar o palco do habitat natural da música. "You people are beautiful", elogiou-nos Steve Gunn; “so are you”, dizemos nós, sem dúvida.

"I Love You Honeybear" cai no âmago com Father John Misty a invadir o palco com o seu folk rockudo, barbudo e cabeludo, transformando este segundo dia prontamente inesquecível.

"Only Son of a Ladies Man", "Strange Encounter” revelam a sensualidade que Joshua Tillman traz no corpo, e não há vivalma que fique descontente com este senhor.

Father John Misty no Vodafone Paredes de Coura 2015
Momentos inéditos e memoráveis como o que aconteceu no ácido “Bored in the USA”, onde Tillman acende o seu isqueiro virtual em formato iPhone, com direito a selfie descarada, e bandeira portuguesa nos ombros.

Um início estrondoso para uma actuação que foi perdendo a intensidade conforme fomos chegando à recta final com "This Is Sally Hatchet" – um clássico que deu a conhecer do que Father John Misty é feito.

Entretanto a fome já aperta, e é altura de recarregar baterias para a loucura de Tigerman e o rock espacial dos australianos Tame Impala – uma sobremesa apetitosa e perigosa após um início de jantar intenso.

Fazer a digestão com The Legenday Tigerman não é uma tarefa fácil, pois Paulo Furtado faz questão de meter o esqueleto a abanar incessantemente – e ainda bem que assim é.

Paulo Furtado no Vodafone Paredes de Coura 2015
O homem-tigre entrou em palco de garras e dentes afiados, embora a início o som tenha soado a baixo volume.

Tem sido, verdadeiramente, um gosto enorme ver o percurso de Tigerman ao longo dos anos, e é sempre uma honra assistir a mais um concerto desde animal de palco. Temas como "Wild Beast", "Storm Over Paradise", a versão sensualona da "These Boots Are Made For Walkin'” (com o coro do público a acompanhar), e "Naked Blues”, levaram o público ao rubro.

Concerto pontuado por devaneios e improvisos musicais entre guitarra e saxofone, que muitas vezes causaram algum caos sonoro, com fim pautado por "21st Century Rock'n'Roll", cujo género se transformou rapidamente num grito de guerra em uníssono – “Rock’n’roll! Rock’n’roll! Rock’n’roll!”, foi o motto repetido até, na opinião de muitos, à exaustão. Um fim caótico para um concerto memorável – não há mal nenhum! Venham mais destes, Tigerman.

O segundo dia do Vodafone Paredes de Coura 2015 ansiava pelo rock espacial dos australianos Tame Impala. Kevin Parker, compositor da maioria do repertório espacial, entra em palco com o resto da banda para fazer explodir a plateia com “Let it Happen” – um dos singles do último disco, Currents.

Há quem desgoste deste sucessor de Lonerism, talvez pela ausência de guitarradas psicadélicas, e por consequência mais detalhe numa abordagem que nos leva de viagem ao IDM do final dos anos 80/início dos 90s? Não sabemos – facto é que o feedback a Currents é totalmente diferente comparando com o que houve a Lonerism e Innerspeaker. Nós, por cá, somos fãs, e Currents resulta, quer em áudio, quer ao vivo.

Tame Impala  no Vodafone Paredes de Coura 2015

Kevin Parker é inteligente, e sabe o que faz provando que as camadas de efeitos espaciais por cima de um krautrock hipnótico não são uma mera divagação de estúdio. O que marca a diferença a nível de espectáculo é que este foi um concerto morno para quem ainda não encontra o sentido musical do novo disco – e contra isso, só mesmo “Elephant” a rasgar tudo num dos momentos altos da noite.

Kevin entusiasma-se com o público, assumindo ser este o maior concerto que deram em solo nacional, que vibrou também com temas como “It isn’t meant to Be”, “Why Won’t you Make your Mind”, e o fim com "Feels Like We Only Go Backwards” – erguendo as vozes de um anfiteatro natural completamente esgotado.

Termina assim o segundo dia no Palco Vodafone, com fasquia elevada para uma 6ª feira de cartaz grandioso.

Data: 2015-08-20
Fotografia: André Roma
Texto: Li Alves


Vê aqui todas as reportagens do Festival Vodafone Paredes de Coura 2015:

- Vodafone Paredes de Coura 2015 @ Dia 1
- Vodafone Paredes de Coura 2015 @ Dia 2
- Vodafone Paredes de Coura 2015 @ Dia 3
- Vodafone Paredes de Coura 2015 @ Dia 4