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RUI VELOSO TRIO @ COLISEU DOS RECREIOS [REPORTAGEM]

Rui Veloso Trio, Coliseu dos Recreios, Concerto, Fotos

Rui Veloso Trio recebeu-nos na sua sala improvisada no palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, na companhia dos músicos Alexandre Manaia e Berg. A sala encheu para ouvir os grandes êxitos de Rui Velosorecordar outros temas que habitualmente não fazem parte dos espetáculos ao vivo.

"A gente não se lê" deu o arranque musical que surgiu depois de uma conversa informal dos músicos, ainda sentados, na intimidade do sofá da sala. Uma intimidade que foi passando através das músicas também para o público, como Rui Veloso afirmou,  parecia mais uma roda de amigos do que um concerto.

No alinhamento houve um pouco de tudo: um bolero à moda do Porto com "Canção de Alterne", a música com o título mais comprido "Ai quem me dera a mim rolar contigo num palheiro", um toque country em "Nunca me esqueci de ti" e ainda aquela canção do gás "O prometido é devido".

Se nem todos conheciam de cor as letras de algumas das músicas, as dos sucessos estavam perfeitamente decoradas: "Porto Côvo", dedicado aos filhos, "Primeiro Beijo", oferecido às damas, ou "Porto Sentido" foram cantadas afinadamente em coro pelo público.

As dedicatórias continuaram ao longo do concerto, com a "Valsinha das Medalhas" para todos os músicos que já acompanharam Rui Veloso, ou "Benvida sejas Maria", feita à 19 anos quando nasceu o filho Manuel, e aqui recordando Bernardo Sassetti. Se as histórias que acompanhavam as músicas traziam para palco lembranças de outras pessoas, a "Origem do Mal" trouxe as vozes de Orlanda Guilande e Anastácia Carvalho  que se juntaram ao trio já em palco trazendo um toque especial. 

Quando entramos numa sala de espetáculos para um concerto sabemos que o final irá, inevitavelmente, chegar, mas o público não queria deixar que isso acontecesse e quando "Chico Fininho" ditou a saída dos músicos do palco, rapidamente exigiram o regresso. 
Para o primeiro encore estava reservado uma surpresa: o Alentejo veio até Lisboa e o cantar alentejano dos Adiafa (apelidados carinhosamente de seca adegas) juntou-se a "Guadiana" e "Feira de Castro", este último com as palmas do público a marcar o ritmo. 

Novamente os músicos abandonaram o palco e novamente as palmas e o ruído dos pés a bater no chão ditaram o regresso. Guardados para ao segundo encore estavam aqueles temas diretamente do baú e que não poderiam ficar de fora nesta noite especial: "Jura", um dos mais pedidos ao longo da noite, "Paixão" cantada em uníssono pelo público com Rui Veloso a conduzir como um verdadeiro maestro e ainda o eterno "Não há estrelas no céu".

São mais de 30 anos de carreira revisitados numa viagem, com novos arranjos, feitos entre amigos e para amigos, pois foi assim que o público se sentiu nesta noite intimista sentado num sofá de sala a recordar  e cantar "aquelas" músicas ...



Data: 2014-03-29
Texto e Fotografia: Vânia Marecos