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O “derradeiro”. Assim apelidaram os Silence 4 o concerto de quinta-feira à noite no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, cidade que os viu nascer e que os próprios relembraram vezes sem fim. A chuva fez-se sentir, mas a banda entrou em palco para uma plateia de mais de dez mil pessoas, que não arredavam pé por um “mero” aguaceiro. O melhor, ainda estava por vir com este Song Book 2014.
O tão esperado regresso dos Silence 4 foi a pedido de Sofia Lisboa. Uma reunião improvável para celebrar a vida e recuperação de Sofia, que sofreu de leucemia. Depois de passar pelas ilhas, Guimarães e Lisboa, a população de Leiria clamava por este concerto final e quando foi anunciado, aderiu em peso. Mais de 13 mil bilhetes foram postos à venda e poucos deveram ter ficado por vender.
As cortinas abriram-se para se relembrar a história dos quatro, recuando no tempo até 1995. A frase “We are so glad you are here with us today”, foi a primeira que se leu. E Give a Little Respect foi a primeira música que se ouviu. As milhares de pessoas a assistir cantaram em uníssono, saltaram, gritaram, por ouvir as vozes que não se ouviam juntas há anos.
Seguiram-se os temas Old Letters, Dying Young, o “fan-favorite” Borrow e Don’t.
Depois destas músicas veio Sérgio Godinho. Ou melhor. Não veio, ao contrário do que aconteceu no concerto do MEO Arena, mas ouviu-se Sextos Sentidos, uma das músicas portuguesas da banda, escrita por Sérgio Godinho, que atendeu ao pedido “com muita lata” de Rui Costa, o baixista da banda.
A chuva fazia-se sentir durante estas primeiras músicas, mas em frente ao palco não se via um espaço vazio. Nas bancadas, não havia uma cadeira vazia. “Impressionante, a chover assim e vocês não arredam pé,” disse David Fonseca vezes sem conta.
“My Friends”, “To Give”, “Cry”, “Ceilings”… nenhuma era desconhecida do público, Naquele estádio não se ouviam apenas duas vozes. Eram milhares.
Mas veio “Angel’s Song”. “Esta é uma música muito importante para mim, pensei que nunca mais ia cantá-la. Peço-vos que a cantem comigo”, pediu Sofia Lisboa. Por isso a estrofe “I guess i was triyng to keep me alive”, ouviu-se talvez por todo o distrito.
David Fonseca confessou que nos ensaios era obrigado a ir para outra sala porque tinha vergonha de cantar em português em frente aos companheiros. Com certeza que a vergonha ficou noutro lado, “Eu Não Sei Dizer”, foi cantada na perfeição.
Alinhamento: Silence 4 @ Estadio Municipal de Leiria
Alinhamento: Silence 4 @ Estadio Municipal de Leiria
Com “Only Pain is Real” e “Sleepwalking Convict” terminou a primeira parte. O primeiro encore da noite levaria a banda a tocar no “pit”, bem perto dos que estavam ali para os ver e ouvir, foi talvez a maneira mais intimista possível de recriar o momento em que a banda veio para o meio do MEO Arena durante o concerto nesse espaço. Nesta segunda parte, ouviram-se duas músicas que nunca foram gravadas: “Self-Sufficient” e “Silence Becomes It”, músicas que apenas eram conhecidas das quatro paredes onde eles ensaiavam à luz das velas. E claro, dos que já tinham assistido aos concertos deste SongBook 2014.
“Goodbye Tomorrow” fechou o primeiro encore; foi a despedida. Ou assim pensávamos. Eles voltaram, e desta vez pediram com mais afinco que o público cantasse com eles. E o público assim fez. E bem.
Aqui, e desta vez à semelhança do que aconteceu no MEO Arena, o carro voador entrou em cena, mas no chão. Repetiram-se os temas “Borrow”, “My Friends”, “A Little Respect”, e ainda “Search Me Not” e “Breeders”. E sim, ouviu-se o público, tão bem como se ouvia o David e a Sofia. Ele pediu que se cantasse bem alto, para que até os aliens ouvissem.
O derradeiro “até Sempre” dos Silence 4.
Fotografia: David Sineiro
Texto: Daniela Ferreira
Texto: Daniela Ferreira
